O vice-presidente Michel Temer (PMDB) classificou nesta quarta-feira (27) como campanha eleitoral a troca de acusações entre PSDB e PT em torno das investigações sobre a formação de cartel para fraudar licitações de metrô e trens nos governos tucanos de São Paulo.
"Lamentavelmente se antecipou muito a campanha. Acho que temos que seguir o calendário legal, e o calendário legal exige que a partir do ano que vem se pense na campanha. Lamentavelmente é um clima de campanha, e eu não acho útil isso", disse Temer na saída da sessão solene da Câmara relativa aos 25 anos da Constituição.
Ontem, o PSDB reuniu a imprensa para fazer fortes críticas à atuação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no episódio. Sob o argumento de que o ministro deu credibilidade e pediu investigação de acusações apócrifas e forjadas contra políticos do PSDB, o partido do presidenciável Aécio Neves (MG) pediu a demissão do petista.
Cardozo, também em entrevista coletiva à imprensa, rebateu os tucanos afirmando que acabou o tempo do "engavetador-geral da República" --como os petistas se referiam ao chefe do Ministério Público Federal da gestão tucana, Geraldo Brindeiro.
ACUSAÇÃO CONTRA TUCANOS
As acusações contra políticos tucanos vieram a público após a divulgação de um suposto depoimento do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer que apontava a "existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos [Mário] Covas, [Geraldo] Alckmin e [José] Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM".
Rheinheimer negou posteriormente ser o autor da denúncia. O depoimento diz que Aparecido recebeu propina do lobista Arthur Teixeira, acusado de intermediar o pagamento de comissões de empresas que atuam no mercado de trens. São citados como próximos do lobista mais três secretários de Alckmin: Anibal, Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), do DEM. Aloysio Nunes (PSDB-SP) também era mencionado como pessoa próxima a Arthur.
Embora dois delegados da Polícia Federal que participam das investigações tenham afirmado que receberam essas acusações do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o ministro da Justiça afirmou depois que recebeu o depoimento das mãos do secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, o também petista Simão Pedro.
A versão visa preservar o Cade, segundo a Folha apurou. O órgão responsável pela defesa da concorrência, que investiga o cartel no mercado de trens denunciado pela Siemens, tem como presidente Vinicius Carvalho, que foi chefe de gabinete de Simão Pedro e que escondeu essa informação do seu currículo.
RANIER BRAGON
DE BRASÍLIA
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