Há dez anos, quando recebeu o diagnóstico de Aids, o nova-iorquino Osvaldo Perdomo comprou seu túmulo em um cemitério. Deixou o emprego de executivo bem sucedido da indústria de moda e, pouco esperançoso, começou o tratamento com as drogas antirretrovirais. Hoje ele tem 52 anos.
Esse senso de urgência ligado à doença tornou-se mais raro à medida que a medicação evoluiu, afastando a ameaça latente da morte. Quem vive com a Aids, porém, afirma que a perspectiva de envelhecer é complexa.
Além do risco de efeitos colaterais causados pelo uso prolongado dos remédios, a Aids traz outros desafios para quem chega à meia idade.
Em 2015, metade dos nova-iorquinos com a doença terá mais de 50 anos. É um cenário que logo chegará ao Brasil, onde a maior parte dos pacientes tem entre 25 e 40 anos, segundo Artur Kalichman, do programa de Aids da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
O encolhimento da rede social é um agravante, segundo Mark Milano, 57, que tem HIV há 31 anos e é ativista em Nova York. Os que sobrevivem e envelhecem com a Aids veem os amigos morrerem. "Muitos ficaram isolados."
Ele diz que, devido ao preconceito, o mundo está "diminuindo" especialmente para homens gays mais velhos com HIV. Quase 70% têm depressão, em diferentes graus.
"Temos remédios que podem dar a longa vida, mas só isso não adianta. Com todas as complicações que aparecem no coração e nos rins, a vida pode se tornar uma sequência sem fim de idas ao médico", afirma.

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