A qualquer momento, o Ministério Público Estadual (MPE) deverá pedir à Justiça a interdição do Ciam (Centro de Internação do Adolescente Masculino) de Marabá. Isso porque o Governo do Estado vem procrastinando (adiando) reiteradas vezes a reforma e ampliação do prédio determinadas pela 6ª Vara da Infância e Juventude de Marabá.
Ontem à tarde, segunda-feira (27), a Câmara Técnica do MP enviou de Belém para Marabá um engenheiro civil e uma psicóloga para avaliar as condições físicas e prédio e as condições em que os adolescentes estão vivendo no local. O parecer que eles emitirem é que vai apontar, ou não, para um pedido de interdição do Ciam de Marabá à Justiça.
Segundo as promotoras Alexssandra Muniz Mardegan e Lilian Viana Freire, que atuam na Promotoria da Infância em Marabá, O Governo do Estado havia prometido para o final deste mês de janeiro a transferência dos 47 socioeducandos da unidade do CIAM local para uma escola, em conformidade com a sentença da Ação Civil Pública vigente que determina a reforma, ampliação e adequação da instituição. “A situação da instituição, atualmente, é de extrema gravidade, conferindo violação de direitos e risco não só para os adolescentes, como para todos que lá trabalham, já que o ambiente favorece mais o adoecimento que o tratamento”, critica a promotora Alexssandra Mardegan.
Localizado no bairro São Félix III, o Ciam abriga atualmente 47 menores, sendo que boa parte deles tem idade de 17 anos e já terem praticado vários delitos em sociedade. Um dos problemas mais graves é que o prédio foi construído abaixo no nível da rua, o que provoca alagamentos e muitas infiltrações nas paredes dos quartos-selas dos internos.
Tudo começou em 2008, quando o MPE começou a clamar ao Estado por providências para o cumprimento das normas inerentes ao funcionamento digno e legal do CIAM, tendo os promotores da Infância, à época, instaurado Procedimento Administrativo que se transformou em Inquérito Civil em 2010.
Várias vistorias foram realizadas na unidade de internação, onde foram detectados diversos problemas, como fossas entupidas; alojamentos com paredes, pisos e tetos sujos e com infiltrações; água imprópria para o consumo; dentre outros, os quais foram constatados pelo Departamento de Vigilância Sanitária e Instituto Médico Legal.
Depois, em visita realizada no dia 18 de maio de 2012, a Unidade de Internação encontrava-se em péssimas condições de habitabilidade, higiene e salubridade. O Estado prometeu realizar as ações necessárias para resolver os problemas, mas nunca se mobilizou para isso. Como não houve resposta positiva, em outubro de 2012 a promotora Hygeia Magalhães ingressou na Justiça com uma Ação Civil Pública para obrigar o Estado a resolver o problema.
O juiz concedeu liminar à ACP e determinou em julho de 2013 que o Estado resolvesse o problema, inclusive com aplicação de multa diária. Todavia, o governo do Pará recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado e alegou que as ações requeridas demandam tempo, liberação de verbas públicas, previsão orçamentária, realização de procedimento licitatório e clamou pela inviabilidade jurídica de concessão de tutela antecipada.
A promotora Alexssandra Muniz Mardegan informou ontem ao CT que infiltrações levaram à interdição de dois quartos-selas e que, por conta disso, os adolescentes estão morando nas salas de aula daquele centro, o que compromete o início do ano letivo nos próximos dias para os internos.
Nova Pedrinhas?
Técnicos do Ministério Público que fazem visitas periódicas ao Ciam de Marabá alertam para o fato de que a instituição já vivência os reflexos da precariedade e relembram duas rebeliões-motins ocorridas no mês de dezembro de 2013, uma no dia 1º e outra no dia 16, que resultaram na fuga de 7 e 10 adolescentes, respectivamente; todos foram apreendidos na unidade por ação da Polícia Militar no mesmo dia da fuga.
Vejas os pedidos do MP para mudanças no Ciam
- Eliminação de todos os pontos de vazamento de água infiltrações nos pisos e nas paredes do prédio;
- instalação de iluminação artificial em todas as dependências do prédio, bem como um gerador de emergência para ser utilizado em caso de falta de energia elétrica;
- construção de mais alojamentos, bem como adaptação dos mesmos para atender, no máximo, três adolescentes, renovando o revestimento do piso e paredes danificados;
- reestruturação da quadra de esporte e instalação de sua cobertura;
- revitalização da área destinada ao banho de sol dos internos;
- ampliação da cozinha e que a mesma seja equipada com armários e balcões de granito, a fim de facilitar a limpeza e impedir a proliferação de bactérias nos alimentos.
- Efetivação de plantão técnico noturno, incluindo a construção de local para a permanência do plantonista, bem como adicional salarial.
- Realização de concurso público para a contratação de servidores.
- Formação de convênios com a Secretaria de Esporte, Cultura e lazer ou similares. 5) Fornecimento de água mineral para consumo interno.
- Revisão trimestral de toda a rede hidráulica da unidade de forma a possibilitar o escoamento adequado de água e esgoto, inclusive limpeza de fossas sépticas.
- Revisão trimestral das instalações elétricas, garantindo inclusive iluminação adequada em todos os alojamentos e nas áreas comuns, de forma que todos os socioeducandos possam ler e trabalhar sem prejuízo da visão. Dedetização geral e periódica (semestral) de todas as dependências da unidade.

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